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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O amor entre as aves

por: Eurico Santos

As aves amam, sem dúvida, como nós amamos, com ternura e devotamento.

Em certas espécies, é verdade, os casais, após a criação dos filhos, se dispersam e perdem na multidão, em busca de vida nova e novos amores, mas, em muitas outras, os casais nunca se separam. Grande intimidade e ternura ligam os esposos.

Erram o dia inteiro em folganças e revoluteios e junto buscam alimento. À noite, o mesmo galho os abriga ou a mesma moita os protege.

E, assim, aguardam felizes a nova primavera do amor, quando os machos eleverão aos ares as suas sonatas sentimentais e seu epitalânios triunfantes.

Todos que conhecem as aves no quadro natural da natureza sabem que não estamos poetizando.

Até aqueles que possuem aves em reclusão sabem como certas espécies vivem em idílio perene. Lembrarei entre os mais conhecidos os pombos, os periquitos australianos, chamados inseparáveis, o bico-de-lacre, etc.

Em nossa fauna, o conhecido field-naturalis Olalla surpreendeu a vida íntima de uma ave amazônica sem nome popular Liosceles thoracious, que é um modelo de amor conjugal.

Surpreendendo-lhe a vida, viu que cada casal se liga indissoluvelmente e jamais se aparta.

Andam por dentro da mata, sempre no solo, juntinhos, como Dafnis e Cloé, no romance de Longus.

Se, atraído por qualquer coisa, um se desvia do outro e desse fica oculto, o que dá pela falta do companheiro trata logo de perguntar onde ele anda. Logo se correspondem e embora não se vejam, cada qual fica tranqüilo, não sem repetir amiudamente a "pergunta" e receber, infalivelmente, a "resposta".

Se desalmado caçador acaso abater um dos cônjuges, assiste-se, então, a uma cena pungente. O viúvo lança o seu apelo lamentoso, chama inquieto o seu par, corre por todos os cantos, não tem mais sossego nem cuidado com a sua pessoa, não se escondendo mais, como que suplicando ao caçador que o mate também.

Crê Olalla que a ave, que perde assim o seu par, morrerá de dor pela perda irreparável.

Não seria exceção tal caso, pois é de todos sabido que para certo papagaio de Ilinois a viuvez e morte são sinônimos. A morte de um acarreta a inevitável morte do outro.

Há, entretanto, exceções de todo gênero e todos os matizes, não aludindo sequer às relaxações da poligamia e da poliandria. A da viúvinha (Arundinicola leucocephala) foi experimentalmente verificada por Olivério Pinto. É monogama; cada casal sempre anda junto. Aquele naturalista atirava num dos membros do casal que, logo, pouco depois, já tinha substituto. Quer dizer que a viúva, nem por força do nome, queria ficar sozinha. Trazia sempre outro de olho.

As viuvinhas são expeditas, não há dúvida.

Só tratei do amor conjugal, porque o amor materno é uma lei universal.

Foi mesmo entre as aves que os homens escolheram o pelicano como símbolo deste sentimento.

Quer a lenda que, em crise de fome, a boa mãe pelicana abra o ventre e de aos filhos as suas próprias entranhas. Este altruísmo tão singular levou certo jornalista irreverente a dizer que estava vendo a cara, ou melhor, a bicana dos guris, ao fim do segundo dia, reclamando, enjoadamente:

- Que diabo! Todo dia tripa!

(Santos. Eurico. Histórias, lendas e folclore de nossos bichos)



Data: 18/01/2010

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